Sete meses é quase uma vida. Em alguns casos, é uma vida, sim!
Hoje me dei conta que já se passou todo esse tempo desde que eu recebí um estranho telefonema que interrompeu uma idéia fixa de que eu havia encontrado a pessoa que estaria ao meu lado "na alegria e na tristeza, na saúde e na doença".
Acabou alí, embora nós dois não estivéssemos certos de que era o melhor.
Acabou sem que eu olhasse nos olhos dele, como sempre fazíamos.
Acabou sem o impacto da porta que bate, dos gritos que são até cenário para as cenas de drama.
Abafar a dor nunca foi o melhor remédio para fazê-la desaparecer. E este foi um dos meus ( muitos) erros.
Se bem que eu me permito cometer erros. Quando a gente sai da linha da coerência que construímos para caminhar na vida, perde-se o sentido do que é certo e errado.
De repente, nada era mais como antes. E eu precisava enfrentar essa realidade sem direito ao retiro quea situação pede.
Não houve tempo para chorar no quarto, durante dias. Sem cuidar de mim e do resto do mundo do qual faço parte.
Então foi assim que precisei voltar para a vida real, tendo que aprender todos os dias um pouco mais sobre os seres humanos que habitam este planeta.
A partir do que me aconteceu, foi possível delimitar melhor o universo que quero habitar.
Nele cabem todos os tipos. Não podemos fazer seleção. Porque não depende de nós escolher. Porque não temos esse direito.
A mim,portanto, coube apenas seguir o curso natural. Embarco na correnteza. Não tento mais remar contra a maré. Falando honestamente, acho até mesmo que perdí essa capacidade.
Quando se vive assim, a maior aventura é sobreviver depois de um longo dia. Longo e difícil, como todos desde a última segunda. E como serão até sábado.
Isto porque escolhí o pior lado do rio para navegar. No fundo, ainda acredito que as piores travessias nos levam aos melhores pontos de chegada.
Encaro como um spa de superação. Tenho uma semana para aprender a conviver com uma situação de extremo sofrimento e humilhação. E como acontece nestas maratonas existem os piores desafios. Aqueles que fazem você querer optar pelo mais fácil. E fazem até esquecer que eu viví anos com um sentimento lindo e único. E isso, ninguém pode me tirar. Vou escrever de novo para poder acreditar: Ninguém pode me tirar o que viví. Nem a mais ardilosa das criaturas. Nem o pior lobo em pele de cordeiro!

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